Dois artistas plásticos me fazem enxergar São Paulo com mais poesia: Gregório Gruber e Newton Mesquita. Eles conseguem extrair beleza de uma rua fria e cinzenta como a Major Sertório e delicadeza de um canto qualquer do Pacaembu. São retratos urbanos captados de ângulos inusitados, quase como uma fotografia pintada. Locais por onde muitas vezes passamos diariamente, sempre com pressa e atrasados para o próximo compromisso. Cantos , praças, túneis e esquinas que não nos atemos em observar e em captar a magia ali exposta, com toda a sua gama de cores e ângulos.
Nas obras dos dois artistas, a cidade fica em primeiro plano , com sua diversidade arquitetônica, suas luzes neon, seu incessante movimento. Nós, os transeuntes, aparecemos aqui e ali, ora em close, ora distantes, só compondo a cena.
Passear pelas páginas do livro de Newton Mesquita ou pelo site de Gregório Gruber me faz ver uma São Paulo um pouco mais humana. E me deixam sempre com a sensação de que, a qualquer momento, aquelas imagens estáticas vão ganhar vida e movimento. Afinal, São Paulo não pode parar.