Blog – anotações, pensamentos e coisas do cotidiano.

Sampa

Mesmo adorando a música do Caetano, a mais completa tradução , mesmo tendo meus cinco filhos e minha mulher nascidos aqui, mesmo tendo sido acolhido de braços abertos por essa cidade que me deu todas as oportunidades, tenho dificuldade em morrer de amores por São Paulo, Capital. 

Digo que a feiura da cidade a gente só enxerga quando volta de viagem. A violência, o trânsito caótico, os preços abusivos, a desigualdade social, a sujeira, a falta de planejamento urbano, as obras do metrô que deveriam ser entregues na Copa de 2014, a corrupção, a ostentação dos novos-ricos, a obsessão pelo poder, o barulho, a desenfreada especulação imobiliária, as ordens do PCC,  o gosto duvidoso dos tiranizados pelas griffes e a deselegância discreta de suas meninas me fazem olhar a cidade com um certo distanciamento e desilusão. 

No dia 25 de janeiro, era uma dificuldade para mim criar algum anúncio ou campanha para homenagear o aniversariante do dia. Tanto que, logo depois da adoção da Lei Cidade Limpa, fiz um anúncio com o seguinte título: Cidade Limpa? 

( com ponto de interrogação). O visual era um carrinheiro, um desses caras que andam pela cidade pegando papelão, latas e tudo o mais. Na carroceria estavam depositas as seguintes frases: cracolândia/poluição do Tietê e Pinheiros/ chacinas policiais/ qualidade do ar: insatisfatória/ escolas sem banheiros/ esgotos clandestinos…

Esse anúncio deu uma confusão danada e quase fomos obrigados a nos retratar, já que era uma “homenagem”da própria agência à cidade. Semana que vem , logo após o fim oficial (sic) da pandemia, um novo point vai ser inaugurado, um restaurante super transado, de culinária asiática fusion. Eu confirmo ausência.

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