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Maratonar

De uns 5 anos para cá comecei a escutar esse termo: maratonar. Logo descobri que não tinha nada a ver com corridas, mas com a resistência das pessoas em chegar ao fim da história nas séries de Tvs por assinatura.  Se, antes, a gente demorava meses para descobrir quem matou Odete Roitman , agora bastava você passar algumas noites em claro para matar todas as charadas ou ficar com uma vontade louca de assistir à segunda temporada que nem sequer começou a ser filmada. Fria total. O Netiflix nunca faturou tanto como nesses últimos 5 anos. E com a pandemia e isolamento social, então, nem se fala.

Lembro-me de voltar correndo para casa aos domingos só para assistir aos capítulos de Twin Peaks, logo depois do Fantástico, tudo para saber quem matou Laura Palmer, numa trama ótima de David Lynch.

Achava uma besteira você passar a noite em claro e ficar que nem um zumbi num domingo de sol só porque passara a noite anterior acordado vendo uma série por mais de 8 horas, sem parar nem para fazer xixi.

Num sábado de frio à noite , já cansado de ouvir o infectologista do dia num canal jornalístico da TV, um filho sugere da gente assistir a uma série que todos os amigos haviam recomendado. Um drama adolescente, recheado de ação, aventura e mistério, de um diretor que eu nunca tinha ouvido falar e com um bando de atores teens desconhecidos, pelo menos para mim.

A tal série chamava-se Outer Banks, dividida em 10 episódios. Embora toda a trama se passasse à beira-mar, coisa que adoro, tinha certeza que depois do segundo episódio já estaria dormindo. Habilmente, o desgraçado do diretor deixava sempre um rabicho, um suspensezinho ao final de cada capítulo, com duração média de 50 minutos. Para não dormir ansioso , nem boiando, eu olhava para minha mulher, ela olhava para mim e nós dois concordávamos que iríamos assistir só a mais um episódio e que depois iríamos dormir. Só que o mistério aumentava e o maldito final do episódio sempre trazia alguma revelação inesperada. De capítulo em capítulo , sem desgrudar os olhos da tela da Tv e com a vista já meio embaçada, minha mulher pergunta: que horas são? Olhei no celular ao meu lado e para nosso total espanto já era 6:20 do domingo! E como já estávamos no episódio 8, fomos até o fim, vendo o dia clarear e a luz entrar pelo quarto. Me senti o Drácula, fechando as janelas e dizendo boa-noite  em plena manhã de sol, totalmente exausto, depois de minha primeira maratona. Ah, vi num site que eles já estão pensando em filmar a segunda temporada…Pronto, me pegaram…na próxima maratona vou levar pipoca.

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