Blog – anotações, pensamentos e coisas do cotidiano.

Cobras e Lagartos

Há alguns anos, meu filho foi picado por uma jararaca. Ficou quase um mês lutando para se livrar do veneno que circulava pelo seu frágil corpo de menino pequeno. Teve dores, teve enjôos, teve febre, teve taquicardia, mas graças a Deus e à ajuda de médicos experientes do hospital de São Sebastião , conseguiu se curar, ficando sem nenhuma sequela. Esses médicos, recebem em média de 2 a 3 casos de picadas por dia e entendem muito mais de veneno de cobras do que qualquer médico de São Paulo. Depois de 4 dias no hospital público de São Sebastião, cometemos a besteira de transferir nosso filho para um moderno hospital de São Paulo, bem mais confortável e aparelhado. Como bons urbanóides, acreditávamos que ali ele estaria bem mais seguro e protegido. Não demorou muito para a gente perceber que eles não sabiam nada sobre jararacas,corais, caninanas, cascavéis e afins. Tanto, que a garrafa pet onde fora colocada a cobra morta que picou meu filho virou atração turística junto às enfermeiras e atendentes do hospital paulistano, com direito a selfies e tudo o mais.

Os médicos caiçaras falavam com desenvoltura sobre as reações provocadas pelo veneno de cada uma das cobras e tinham o soro e antídoto adequado para cada tipo.

Sentado à beira da cama e vendo meu filho dormir, fiquei refletindo que as cobras paulistanas são aquelas que destilam veneno em coquetéis, reuniões, jantares, negociatas comerciais e afins e não na Mata Atlântica. Pela internet então, nem se fala. É muito veneno despejado, manhã, tarde e noite através das redes sociais. É um falando mal do outro, ou velada ou explicitamente. Aquele cara que no tête-à-tête fica enrolado e escondido, diante do computador alonga-se e ataca com dentes afiados, tentando ejacular veneno e denegrir pessoas. 

É por isso que gosto de praia…

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.