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Praga

Todo o ano tinha festa junina no meu colégio. Reunia alunos da manhã, tarde e noite, junto com parentes, professores, familiares e amigos. Era um festão que só acabava bem tarde da noite, com a fogueira já apagando. 

Além do bingo , tinha o sorteio,o grande sorteio. Cada ingresso, vinha com 5 números e os prêmios iam subindo em valor, de baixo para cima. Quando a música foi baixada eu peguei meu papel e corri para perto dos meus pais, assim como meus irmãos. Na hora que anunciaram o prêmio de número 3,  pulei do chão e gritei, minha mãe conferiu e lá fui eu  buscar um Autorama da Estrela novinho em folha. Um presentaço.

Saiu mais um prêmio e logo em seguida seria sorteado o prêmio principal , uma bicicleta lindona. Silêncio total. O cara do microfone fala o número e mais uma vez eu dou um pulo e levanto o braço. Só que, ao invés de aplausos, eu recebo vaias, a plateia toda começa a gritar “é marmelada, é marmelada”. O apresentador confere o número e pergunta se eu quero dar chance a uma outra pessoa, pois já havia ganho um presente. Eu olho para a bicicleta, lembro que o máximo que eu tinha àquela época era um patinete meio torto e digo não, com as vaias ainda mais altas.

Tenho certeza que alguém ali me rogou uma praga. Nunca mais ganhei mais nada de mão beijada. Nem par ou impar na hora do futebol. Tudo veio suado, às custas de muito trabalho. Uma vez estava numa roda com alguns conhecidos meus, quando um deles recebe a ligação do sogro abonado, comunicando que estava dando uma casa mais espaçosa para ele  de presente. Eu fiquei ouvindo aquele diálogo improvável , com a certeza absoluta de que aquilo nunca iria acontecer comigo. E que a praga da quermesse ia me perseguir para o resto da vida.

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