É realmente contagiante. Os hábitos de consumo têm que ser preservados. A economia não pode parar. A roda tem que girar. Afinal, somos ou não somos uma república capitalista? As pessoas têm que se ver, têm que se abraçar, têm que curtir a vida adoidado e, principalmente, têm que consumir. Se não tem vacina, a gente circula de máscara, respeitando todas as normas de distanciamento e de higienização. E só tira para jantar, beijar, beber, cantar, conversar, xingar, tossir, espirrar. Os jovens estão saindo para se divertir, como nos velhos tempos. E voltam para suas casas com um souvenir: a covid19. Aconteceu na Europa nos meses de verão, e está acontecendo aqui em plena primavera. Os mais velhos que permanecem em quarentena ou tomando todo o cuidado do mundo em ambientes públicos ou nos locais de trabalho, não têm como escapar dos filhos e netos queridos que chegam da rua contaminados. No sábado, um filho meu beijou uma menina, também de 15 anos. Na terça, via redes sociais, ficamos sabendo que a menina contraiu o vírus. Na quarta, meu filho fez exame e tem muita febre e moleza pela corpo. Na sexta, o resultado dele dá positivo. Um outro filho meu também é contaminado, dentro de casa. Eu desço com um colchão para o porão de casa e onde já era o meu escritório , agora será também o meu dormitório pelos próximos 15 dias de isolamento. No noticiário, nosso presidente diz que venceu mais uma, ao interromper por 48 horas o desenvolvimento da vacina chinesa do Dória. A tal gripezinha, segundo ele, chegou na minha casa, enquanto o número de mortes diárias volta a subir e os hospitais começam a encher novamente. E ao invés de pedir Cloroquina , peço a Deus que nos proteja. Em meio à tempestade, numa nau sem rumo de nome Brasil.