Blog – anotações, pensamentos e coisas do cotidiano.

Invisíveis

Numa reunião com pessoas do marketing de uma empresa que fabrica doces, balas e confeitos, fui desafiado a responder quem eram os maiores vendedores de paçoquinhas, pés de moleque, pingos de leite ,balas e afins. Errei feio, pois acreditava serem os grandes atacadistas e distribuidores ou os donos de bares e padarias os responsáveis por fazer aquelas guloseimas girar. 

Os grandes responsáveis por deixar a nossa vida um pouco mais doce, são, na verdade, os camelôs. Sim, os camelôs. São eles que circulam pelas favelas, pelos cruzamentos mais chiques das grandes cidades, pelos estádios de futebol, pela porta de escolas de periferia ou na entrada das melhores faculdades, pelos trens, ônibus, metrôs e lotações. Compram por R$0,20 e vendem por R$ 0,50, fazendo a nossa Economia girar, mesmo que de picadinho. 

O nosso verborrágico e sempre otimista ministro da Economia, cunhou a frase mão de obra invisível para se referir aos 35 milhões de trabalhadores invisíveis que seriam beneficiados com o auxílio emergencial dado pelo Governo até dezembro de 2020. Um número duas vezes maior do que aqueles visivelmente defensores do ex-presidente Lula que se beneficiavam com o Bolsa Família do PT. 

Agora, em meio à falta de dinheiro e a ameaça de criação de novos impostos, o Governo acaba de descobrir uma nova categoria de ex-trabalhadores: os Mais Invisíveis, cerca de 18 milhões de pessoas que nunca tiveram registro em carteira ou contrato de trabalho – os trabalhadores informais, autônomos, freelancers, independentes que  vivem de bicos e não se enquadram em  nenhuma categoria que possa se beneficiar do auxílio emergencial concedido pelo atual Governo. 

Se somarmos os Invisíveis aos Mais Invisíveis, estaremos falando de mais de 50 milhões de pessoas, entre homens e mulheres,  que entrarão em 2021 sem a menor perspectiva de emprego, salário ou ganho emergencial. O que fazer?Não dá para fingir que não vê, mesmo em se tratando de invisíveis.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.