Mesmo antes dessa pandemia, sempre gostei de analisar hábitos de consumo de quem deseja comprar um imóvel numa cidade como São Paulo. Alguns desses hábitos certamente mudaram ou sofreram alterações depois de mais de 4 meses de confinamento em apartamentos que mais pareciam uma cabine de navio de luxo.Mas uma coisa pouco mudou: o desejo das pessoas em ter poucos filhos ou nenhum filho e trocá-los por um gato ou um cachorro. É impressionante como o consumo de ração animal cresceu em todo o planeta. As marcas se proliferam e se sofisticam cada vez mais, com um grau de segmentação tão grande que logo, logo (dentro do politicamente correto) vai surgir uma ração específica para cães vira-latas, e cuja campanha publicitária vai ser estrelada pela Dama e o Vagabundo.
Assim como os supermercados e farmácias permaneceram abertos durante todo o período de confinamento, as pet shops também receberam carta branca para funcionar, com um movimento incomum em lojas gigantes e cheias de sofisticação espalhadas por bairros de gente de todas as camadas sociais. Conheço gente que tem álbum de fotografia do seu cãozinho ou gatinho de estimação e que só viaja com o “filho” à tiracolo.
Os valores de um filhote de determinada raça que está na moda chega às alturas e esses exemplares raros são comumente vistos nos corredores dos shoppings mais chics, apontando qual é ou quais são os cãezinhos mais desejados pelos mais endinheirados e/ou mais cafonas.
Pelo menos 5 grandes redes de pet shops se espalham por todo o Brasil , com uma estrutura de marketing bastante profissional e um programa de milhagem canina ou felina pra lá de eficiente.
Essa história de vida de cão – para falar daqueles que comem o pão que o diabo amassou – tem que ser revista. Porque tem totó andando até de primeira classe nos aviões, enquanto nós, simples mortais, temos que nos rastejar em busca de um emprego digno. E não temos nem rabo para abanar e mostrar o quanto estamos felizes quando a tal proposta é boa.