Como todo mundo fala , mas ninguém faz nada, como o preço do petróleo continua subindo quando poderíamos ter carros movidos a água, como as duas maiores potências mundiais são exatamente aquelas que mais emitem gases de efeito estufa na atmosfera, resolvi acreditar nas previsões apocalípticas da ONU e de uma publicação norte-americana, a revista Environmental Research Letters, que vem estudando o aumento do nível da água nos oceanos nas últimas décadas, em grande parte provocado pelo derretimento das geleiras no Hemisfério Norte. Blocos de gelo maiores que a cidade de São Paulo, boiando por aí… e derretendo, lentamente, perigosamente, fazendo o nível da água nos oceanos subir.
Eles enumeraram cidades que até 2050 ou no mais tardar até 2100 vão estar parcialmente submersas. Dentre essas cidades, a primeira da lista no Brasil é exatamente a cidade onde eu nasci e vivi durante minha infância e adolescência, a minha querida Santos.
Se já não bastassem as constantes reportagens falando dos prédios tortos da orla da praia de Santos, agora surge mais essa notícia, da futura cidade submersa pelos efeitos das mudanças climáticas que estão a ocorrer em todo o mundo. Fico imaginando todos os locais por onde andei indo por água abaixo, com a equipe da Rede Globo filmando do alto de um helicóptero a “inesperada” catástrofe, enquanto o prefeito pede verba extra para suprir os estragos provocados pelas enchentes ao mesmo tempo que decreta estado de calamidade pública.
Porém, o que mais me inquieta é o fato de que nenhum movimento, nenhuma ação concreta, nenhuma manifestação popular em praça pública foi tomada pela população santista. Nada.Esse seria o momento ideal para que toda uma comunidade que não quer submergir se manifestasse e iniciasse um movimento de mudança da situação atual. Mas nada, nada foi feito.
Eu que não vivo lá há mais de 30 anos fiquei atônito e triste. Saber que parte da minha história de vida irá desaparecer, bem como o jardim da orla da praia incluído no GuinessBook, os prédios tortos e os alinhados, o Baleia, o edifício São João, o bar São Paulo, a estátua de Martins Fontes, a Confeitaria Joinville…
Talvez a única explicação plausível para tamanha passividade, seja o fato de que a populacão santista ou grande parte dela esteja atualmente mais preocupada com o naufrágio do time do Santos Futebol Clube do que com a inundação da própria cidade. Vamos remando, anfíbios. Até onde der pé.