Dentre todos os absurdos deste maluco e insensato ano de 2020, duas perdas me marcaram: Moraes Moreira e Rubem Fonseca. Mesmo adorando rock, mesmo considerando Arnaldo Batista o nosso Syd Barret, mesmo recitando todas as letras de Mutantes, Barão Vermelho, Paralamas e muitos mais, o meu conjunto preferido sempre foi e será Os Novos Baianos. E Acabou Chorare o meu disco número 1, o nosso Sargent Pepper tupiniquim. E depois do terceiro show ao vivo, a emoção ainda era a mesma, como se estivesse ouvindo pela primeira vez na minha vitrola Preta,Pretinha na voz de Moraes Moreira. E fica uma dica pouco famosa: Meio-fio, uma música/letra linda, mas pouco reconhecida.
Já com relação a Rubem Fonseca, a história é outra. Não tem nada a ver com cabelos compridos, calça-pijama e loucura psicodélica, mas sim com redação de jornal. Primeiro, cobrindo férias, depois me apaixonando pelo setor policial, aquele que os mais intelectualizados da turma de Jornalismo passavam longe. Época de ditadura militar.Época de telex fazendo barulho na redação, mesmo trancado em sala de vidro. O papa sofre um atentado, segundo a informação passada via telex. E, no dia seguinte, todos os jornais iam dar a mesma matéria.Menos eu. Na reportagem policial você tinha a possibilidade do furo, do jornalismo investigativo, da matéria fria, questionando, por exemplo, o que é “atitude suspeita”.
Foi essa vivência, durante anos, que me levou a Rubem Fonseca e a sua escrita seca, dura, às vezes sublime, às vezes cruel, mas sempre verdadeira. O ser humano pode te dar as maiores alegrias e as maiores tristezas. E você nunca sabe ao certo quando isso pode acontecer.
Duas pessoas marcantes na minha vida que se foram em 2 meses. Fica aqui minha homenagem sincera.