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Boxe

Depois do Santos Futebol Clube, o maior time do mundo do século XX, a maior paixão do meu pai era o boxe. Com ele, ainda pequeno, descobri Cassius Clay, antes mesmo de tornar-se Muhamed Ali. Depois, adolescente, foi a vez de me encantar com Mike Tyson. Dois estilos completamente diferentes. Um alto, elegante, bailarino, estrategista, falastrão, mas preciso no golpe que derrubava montanhas de músculos, depois de cansá-las habilmente. O outro, atarracado, tenso, olhar de pitbull acuado, que costumava finalizar os combates entre o primeiro e segundo assaltos. Nesses tempos de pandemia, revi lutas dos dois, maravilhado. Senti também muita saudade do meu pai, prematuramente falecido. E não senti saudade nenhuma daquele agarra-agarra das lutas de MMA que dominam a programação de hoje, deixando o boxe em segundo plano. Meu pai teve muita sorte por ter vivido na mesma época de Pelé, Ali e Tyson.

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