Todo mundo fala da trajetória da família Fasano no Brasil. Do lançamento do primeiro restaurante no local onde hoje funciona o Blue Note em São Paulo, no mezanino do Conjunto Nacional. Falam também da marca de uísque que o patriarca lançou lá atrás até chegar aos investimentos imobiliários com a grife Fasano, nos dias de hoje. Seus restaurantes são todos ótimos e suntuosos.
Mas, ao contrário dos modernos, a história que eu acompanho e que me atrai é a de outra família italiana apaixonada por culinária, de outro patriarca de nome Fabrizio, a família Tatini.
O patriarca abriu o seu primeiro restaurante em 1954, em Santos. Chamava-se Don Fabrizio. Era lindo e todo envidraçado. Servia vôngoles no couvert e os pratos eram finalizados na mesa, em réchauds de prata. Aquelas labaredas subindo ao lado da mesa faziam o maior sucesso, principalmente aos olhos de uma criança. O programa de muitos paulistanos aos finais de semana era descer a Serra só para comer no Don Fabrizio. A fama do lugar cresceu tanto que até passageiros de navios de luxo que atracavam no porto de Santos pediam para conhecer o restaurante. Um desses ilustres visitantes foi o excepcional cantor norte-americano Nat King Cole que fez questão de jantar no Don Fabrizio, em sua passagem pela cidade. A cozinha era tradicional e diversificada, desde um estrogonofe de filé até um camarão a newburg, tudo era uma delícia. Meu pai era amigo do filho do velho Tatini e, com isso, ainda ganhávamos de quebra alguma iguaria ou doce especial. Esse filho era um cara alto, risonho que passava de mesa em mesa para cumprimentar a todos.
Quando mudei-me para São Paulo o restaurante de Santos não existia mais. Alguns anos depois, meu pai morreria, assim como aquele filho do velho Tatini que era o amigo dele. Achei que nunca mais ouviria falar do restaurante e de sua história.
Um dia alguém me contou que o Don Fabrizio reabrira na Alameda Santos, em SP e que algum tempo depois mudara de nome, passando a se chamar Tatini, sob o comando do outro filho, Mario. Por umas duas ou três vezes fui jantar no Tatini e lá encontrei , além das lembranças da minha infância, um colega publicitário também de nome Fabrizio,representanto a terceira geração da família. A comida continuava igual, maravilhosa. Não era propriamente um lugar para ver e ser visto, a faixa etária passava dos 70, fácil. Mas eu adorava aquele ambiente, aquela volta ao passado. E os mesmos réchauds fumegantes…
Talvez em busca dessa modernidade, fiquei sabendo recentemente que o bisneto Thiago Tatini abriu há cerca de 2 anos o restaurante Casimiro, nos Jardins. O cardápio apresenta alguns pratos novos, mas o steak a Diana e o coquetel de camarão, continuam lá, firme e fortes. Porque esse negócio de cozinha minimalista , cozinha fusion experimental e outras baboseiras inventadas só funcionam para quem precisa emagrecer. Ou para aqueles que tanto faz a comida, o que eles querem mesmo é estar no restaurante mais in da cidade, postando fotos no celular. A tirania da moda não permite que algumas pessoas saboreiem os clássicos, a comida dos Tatinis.