Primeiro eles compram a sua marca, o seu talento e o talento da sua equipe e pedem para você voar livremente, extravasar toda a sua criatividade e ousadia. Dinheiro não é problema até então e todo o final de ano você ainda recebe polpudo bônus. Te dão o mundo, te alimentam de informações, pesquisas e te abrem as portas para os clientes alinhados internacionalmente. E caso você tenha algum cliente local conflitante, sutilmente você é convidado a dispensá-lo ou transferi-lo para alguma outra empresa da holding. Eles também te dão a chance de você manter a sua marca na fachada e só contribuem com o sobrenome.
Num segundo momento, alguns anos depois, eles te colocam num enorme viveiro, apertando um pouco mais o controle e interferindo mais nas decisões e até nas prospecções, além de cobrarem os 18% de crescimento anual, independentemente da situação econômica e política do país em que você atua.
Num terceiro momento, já sem boa parte da sua equipe que foi trocada por colaboradores mais juniores e baratos, você é colocado numa gaiola. Uma gaiola de ouro, diga-se. Só que com muito menos espaço e margem de manobra. Pouco a pouco, de pessoa jurídica você vai se transformando em pessoa física, quase que como um estranho no ninho, uma peça fora da engrenagem. A sua ex-empresa transforma-se numa máquina de fazer dinheiro, com ações nas principais Bolsas do mundo, que presta conta a acionistas e distribui lucro gerado por grandes idéias e estratégias para um rol de clientes de grande envergadura.
Num quarto momento, eles abrem a gaiola e te cortam as asas. E ainda distribuem um comunicado exaltando toda a sua contribuição para o sucesso do negócio.