Sempre defendi a tese de que depois de um certo tempo você não é mais redator ou diretor de arte, você é um criador. Cansei de apresentar campanhas em que o visual era idéia do redator e o slogan tinha sido dado pelo diretor de arte. Conheci um diretor de arte cheio de tiques nervosos que era muito melhor no conceito do que na estética. E trabalhei também com aqueles que só conseguiam se expressar através de imagens.
Copiando um modelo das agências de propaganda americanas, ficávamos em baias, um de frente para o outros, formávamos uma dupla de criação . Tinha um diretor de arte muito talentoso e gente boa que fumava mais de 1 maço de cigarros por dia e eu, por tabela, engolia toda aquela fumaceira, sem ter como reclamar.
Depois de um tempo, copiando um modelo Ambev, as paredes das tais baias foram derrubadas e todos foram colocados num mesão. Embora diga que Criação é uma emoção solitária, algo que vem depois de você muito pesquisar, apanhar , dormir acordado e trilhar caminhos que te levam a lugar nenhum, esse tempo de mesão fez surgir mais brainstorm, mais discussão em grupo e mais integração com o pessoal do digital. As fichas técnicas de campanhas ficaram enormes. Todo mundo queria tirar fotografia com o pé em cima do leão depois que ele já estava morto.
Dia desses fui mexer nuns arquivos e me deparei com uma pasta de trabalhos impressos que realizei fazendo dupla com vários diretores de arte. Ao folhear cada página, lembrei-me do problemaXsolução de cada peça e dos percalços que tivemos para viabilizar cada um daqueles projetos. De repente, atentei-me para um fato que nunca havia visto antes: todos os anúncios criados em parceria com um determinado diretor de arte, parece que pulavam ao olhos, parece que prendiam mais a atenção, por algum motivo. Aqui fica a minha homenagem e gratidão ao Netão, Paschoal Fabra Neto com quem tive a honra de dividir alguns trabalhos.