O pai de um conhecido meu mudou-se para Brasília para assessorar um dos únicos políticos do PT que não é corrupto, acredite. Três meses depois, pediu demissão e voltou para São Paulo. Não aguentou a pressão, os conchavos, as negociatas, os trambiques. Num desabafo, disse que, caso permanece por lá, tinha que jogar o jogo e jogar a toalha.
Fico imaginando o que as próximas gerações vão estudar nos livros de História quando o capítulo Presidentes do século XX e XXI no Brasil tiver que ser analisado. É só impeachment, escândalo, mala preta, prisão e bandalheira das mais diferentes siglas partidárias. Da extrema direita à extrema esquerda, todos têm capítulos escabrosos. De Juscelino Kubitschek pra cá – que ainda por cima inaugurou Brasília- , todos os demais deixaram dúvidas em menor ou maior grau. O nosso desalento é tão grande que várias vezes tive que escutar que, no frigir dos ovos, o nosso melhor presidente tinha sido Itamar Franco, o vice do Tancredo.
Ou seja, o próximo Presidente , em meio a todos esses dados de mercado, tem a chance histórica de se transformar no primeiro presidente que inspire confiança não a todos, mas pelo menos à grande maioria da população. Só isso. Que seja uma pessoa que fale abertamente a sua linha de pensamento, dentro de um discurso democrático e crível, que consiga levar o país ao verdadeiro progresso. E que esteja preocupado em gerar empregos e fazer com que o povo tenha oportunidades de prosperar e ter orgulho de ser brasileiro. O cara que fizer isso, certamente terá um capítulo à parte naquele livro de História. Pois vai conseguir virar a página da corrupção e nos fazer acreditar.