Que me desculpem todos os palmeirenses, mas meu pai só fumava um maço de cigarro a mais quando o Santos enfrentava o Botafogo. O do Rio, Botafogo de Futebol e Regatas, o da estrela solitária. O Brasil só chegou ao tricampeonato mundial porque Santos e Botafogo eram times excepcionais e praticamente preenchiam mais da metade das vagas no timo titular verde-amarelo. De um lado, Pelé, Pepe, Coutinho, Zito, ,Mauro , Gilmar e companhia. De outro, Manga, Nilton Santos, Zagalo, Didi, Garrincha e mais uma infinidade de craques. Nos confrontos diretos, ninguém se atrevia a cravar um resultado. Foram jogos memoráveis ,que fizeram a alegria de quem chegava cedo no cinema para assistir ao Canal 100 na tela gigante. Meu pai pedia para a gente, ao final da sessão de cinema, ficar um pouco mais para assistir o Canal 100 de novo, só para ver Santos e Botafogo no telão, principalmente quando o placar nos era favorável.
Esse misto de admiração e medo pelo Botafogo tão incensado e cultivado por meu pai na minha infância, transformou-se em revolta , quando o brilhante esquadrão santista comandado por Giovani . foi vergonhosamente roubado por um juiz inescrupuloso( o mesmo que roubou o Internacional 10 anos após contra o Corinthians), na final do campeonato brasileiro de 1995. Confesso que perdi aquela simpatia que nutria pelo Botafogo. Mas, hoje, na fase final do Covidão-20 fico triste ao ver, rodada após rodada, o Botafogo na última posição do campeonato, acumulando derrotas, sem forças para reagir , em queda livre em direção à Série B do ano que vem, fato que se confirmou no início deste mês de fevereiro, com o Botafogo sendo o primeiro time a cair pela terceira vez em sua história.
Meu pai, se estivesse vivo, não fumaria um maço de cigarro a mais. Mas também estaria triste. Porque, acima de tudo, ele amava um bom futebol.