Um dos saldos positivos dessa pandemia e desse isolamento social é que o consumo de vinho pelos brasileiros cresceu cerca de 35% em relação aos outros anos. Principalmente os vinhos chilenos, argentinos e brasileiros encabeçam a lista dos mais consumidos nos lares daqui. É certo que existe uma concentração desse consumo nas regiões Sul e Sudeste, mas, no geral, mais e mais brasileiros estão se habituando a saborear um bom vinho antes, durante ou depois das refeições.
Lembro-me quando fazia campanhas de cerveja, que o diretor de marketing bradava que todos os comerciais tinham que ter um espírito gregário, de time, de torcida, de confraternização, de alegria. Algo que servisse para incutir na mente das pessoas que só a cerveja poderia ser a opção para se comemorar uma vitória com os amigos. O mesmo diretor, dizia que uísque era bebida de corno que ouvia blues, solitário. Que pinga era bebida de alcoólatra e vinho, de esnobe, fresco ou de mulher. Isso já se faz mais de 20 anos… e com certeza o discurso atual seria outro.
Hoje, o vinho vem ganhando distribuição, oferta, opções de preços , aromas, texturas, taninos, terroirs e tudo o mais. Já é possível que uma pessoa qualquer opte por um Tempranillo ou por um Shiraz em detrimento de um Merlot ou de um Cabernet Sauvignon. Os supermercados, grandes, médios e pequenos, abriram espaço para os vinhos. E até aquelas padarias mais sofisticadas têm a sua adega com opções de ótima qualidade.
No meu casamento, em final de 1994, além do tradicional uísque foi servido o vinho alemão da garrafa azul que acabou sendo o responsável pela democratização do vinho no Brasil. Era comum, naquela época, você ir a um restaurante e ver o tal vinho da garrafa azul em várias mesas.
Some-se a isso o fato de que em várias regiões do país o plantio de uvas de diferentes espécies tem se ampliado, com uma infinidade de marcas e vinícolas surgindo ano após ano.
E para finalizar, mais uma boa notícia: a safra de 2020 em solo brasileiro foi considerada uma das melhores em toda a sua história, por uma combinação de chuva, sol, umidade do solo, época de colheita e tudo o mais. O que nos leva a projetar para este ano uma maior e melhor oferta de produtos nacionais de qualidade. Algo que certamente irá atrair mais consumidores e fazer com que o vinho entre definitivamente no gosto dos brasileiros. Para desespero dos brasileiros que presidem a Ambev.