De todos os meus sonhos não realizados, o maior deles foi sem dúvida nunca ter conseguido tocar piano. E olha que oportunidades não me faltaram. Tínhamos um piano à disposição em casa. Minha mãe era professora de piano e formada em música clássica. Tínhamos aulas de piano em casa, por meia hora, diariamente. Tínhamos partituras e mais partituras. Tínhamos discos de Bach, Chopin, Mozart, Beethoven espalhados pela casa e uma rádio-vitrola potente para ouvir música a qualquer hora. Minha mãe tentou com todos os filhos, mas nenhum se apaixonou pelo piano da mesma forma que ela. Como éramos obrigados a ter aula de piano no meio da tarde, quase que diariamente, adquirimos uma certa repulsa pelo instrumento. E comemoramos secretamente quando tivemos que nos desfazer do piano por estar infestado de cupins, com a madeira totalmente comprometida.
Anos se passaram e depois da fase heavy metal, comecei a prestar mais atenção às notas do piano, quer na bossa-nova, no jazz, no rock, no blues em tudo. Comecei a comprar discos- solo de piano e a frequentar locais onde houvesse um piano bem tocado. Se pudesse voltar atrás, teria me aplicado mais naquelas aulas gratuitas que minha mãe nos proporcionava. E quem sabe hoje, com a chuva caindo lá fora, estaria batucando um teclado que não fosse só o do computador. Aqui, no computador, crio palavras, campanhas, temas e até esse blog. Imagine se no outro teclado, sentado ao piano, pudesse também criar sons, notas e músicas…com certeza minha vida seria mais leve e mais bonita. E dessa mistura alguns jingles novos seriam criados, música e letra, passando a bola mais redonda para os amigos/parceiros que entendem do assunto, como o Thomas Roth da Lua Nova, que certamente daria uma sonora gargalhada ao ouvir as minhas esforçadas rimas. Letra e música, um luxo só…