Se 80%- sim, oitenta por cento- das despesas fixas do Governo Federal são para cobrir gastos com servidores públicos e aposentados, se os 20% restantes são destinados à Saúde, Educação, Infraestrutura, Cultura, Defesa e tudo o mais, se a atual pandemia só veio contribuir para piorar o atual cenário econômico e social do país e se a gente não pretende conviver com o fantasma da inflação nos próximos anos só há uma medida a tomar: cortar os gastos com os servidores públicos já que não dá para cortar os gastos com os aposentados – num país com perspectiva de envelhecimento crescente da população.
Há uns dois meses assisti a um filme lúgubre de nome O poço, em que uma personagem meio sinistra, diante da evidência dos fatos, repetia sempre a mesma resposta: óbvio.
É óbvio que depois da Reforma da Previdência, da Reforma Fiscal, da reforma da reforma, o Governo deveria deixar de tentar tapar o sol com a peneira. E encarar de frente o problema dessa máquina inchada do funcionalismo público que corrói tudo o que se arrecada neste país. Pois, segundo pesquisa, um servidor ganha em média 75% a mais que um trabalhador do setor privado.
Só que para fazer isso, tem que mexer com gente graúda e comprometer a reeleição que se avizinha. E pelo andar da carruagem é bem mais provável que uma nova CPMF seja lançada para cobrir o déficit público e, óbvio, com isso tirar um pouco mais do bolso dos brasileiros que efetivamente trabalham. Para garantir a estabilidade de um monte de gato gordo inoperante, óbvio.