Esse isolamento forçado fez aflorar um monte de sentimentos e virtudes camuflados pela rotina do dia-a-dia. Uns começaram a meditar, outros a ler; teve também aqueles que adotaram um cão, pintaram a casa, mudaram para o interior, prestaram serviço comunitário, produziram marmitas delivery, aprenderam a tocar piano, fizeram cursos e mais cursos sobre mercado digital, produziram máscaras e acessórios e muito, muito mais…
Um filho meu, que já se aventurava aos finais de semana em criar algumas comidinhas gostosas para a gente saborear, resolveu aprimorar ainda mais os seus dotes culinários durante esses quase 5 meses de pandemia.
No último Dia dos Pais, ganhei de presente um almoço-ajantarado preparado por esse meu filho gourmet. No cardápio, Fettuccini à Carbonara, Risoto de Funghi com rúcula e Pudim de Claras de sobremesa. Um verdadeiro banquete, que começou por volta das 18 horas e só foi terminar depois das 21 horas.
Com a ajuda precisa da mãe, esse filho gourmet enfiou-se na cozinha desde o meio da tarde e pilotou as panelas com total desenvoltura, testando ingredientes, molhos, tempo de cozimento e tudo o mais, enquanto eu corria de um lugar a outro tentando achar um maldito maço de sálvia que ele exigia que fosse colocado em um dos pratos.
Olhando aquele moleque vestido com um avental, pensei: esse aí nunca vai passar fome… e se o sonho de virar arquiteto não vingar, pode ser que se transforme num novo Alex Atala, porque a comida que ele preparou estava digna de um restaurante Dom. Esse filho gourmet tem o dom.