“Eu odeio tênis” – essa é a primeira frase do livro biográfico de André Agassi, um dos maiores tenistas de todos os tempos. Durante a infância e adolescência, Agassi foi incentivado pelo pai, para não dizer obrigado, a praticar tênis diariamente, pois ele enxergara no filho um talento muito acima da média.
Lembrei-me dessa frase quando um dos meus filhos chegou um belo dia para mim e disse que não queria mais competir, não queria mais disputar torneios, não queria mais perder todos os finais de semana para participar de campeonatos, não queria mais correr atrás da bolinha com dores no pé, não queria mais sentir dor nas costas quando dava um saque com força, não queria mais sofrer quando era eliminado de um torneio.
Dos 5 aos 13 anos, esse meu filho tenista ganhou uma série de troféus e medalhas. Ganhou patrocínio da Wilson, foi citado várias vezes no jornal do Clube que defendia e teve uma foto sua colada no paredão do mesmo Clube quando foi vice-campeão nacional da Copa Guga de Tênis e foi Bi-campeão do torneio interclubes de São Paulo.
Os técnicos o tratavam com especial deferência. A sua calma , a sua batida forte e precisa , os seus movimentos elegantes chamavam a atenção de todos. Numa final contra um tradicional clube paulistano, na categoria 11/13 anos, em que normalmente a plateia costuma ser formada apenas por abnegados pais e familiares, havia uma quantidade imensa de adultos apaixonados por tênis que, deslumbrados, batiam palmas à cada ponto conquistado por esse meu filho, me enchendo de orgulho e emoção.
Num final de semana qualquer, meio sem graça, ele sentou-se ao meu lado e disse que não queria mais fazer parte da equipe de competição, que queria curtir outras coisas, como andar de bicicleta,pegar umas ondas no mar, ir numa balada , descobrir novos jogos eletrônicos, viajar com amigos, tomar um sol, ir até o shopping, ir ao cinema… Só então me toquei que todas aquelas atividades normais a qualquer adolescente da idade dele haviam sido trocadas por treino e torneio, treino e torneio, treino e torneio…. Durante mais de 5 anos, aquele meu filho vivera em função dos estudos e do tênis, enquanto os irmãos e amigos se divertiam de outra forma. Sem falar que durante mais de 6 meses ele fora obrigado a conviver com uma dor constante em um dos pés que o levou a abandonar dois jogos simplesmente por não conseguir correr.
Pode ser que eu tenha perdido um campeão mundial de tênis , um novo Guga. Mas, em compensação, ganhei um parceiro para jogar comigo aos finais de semana. Sem estresse, com muita risada e descontração e uma porção caprichada de açaí com banana e granola ao final de cada jogo.