No filme Tempos Modernos, Chaplin se agarra aos ponteiros de um enorme relógio e tenta puxá-los para trás. É aquela maldita sensação da correria do dia a dia, em que descobrimos que as horas passaram tão rápida , que não temos tempo para nada, que quando tiver um tempo vamos fazer isso ou aquilo. E, para piorar ainda mais a nossa ansiedade consumista, ainda vêm à lembrança aquela outra maldita frase: tempo é dinheiro.
Nesses tempos de pandemia procurei não alterar a linha do tempo. Dormir à noite, exercitar-se cedinho, tomar banho e descer para trabalhar , no porão de casa.
De novidade, a barba por fazer e a descoberta de roupas velhas/novas muito pouco usadas. Camisetas de shows, de produtoras de cinema, de produtoras de som, de lugares visitados, até da minha lua-de-mel. Tenho um irmão que me pede para não levar lembrancinhas de presentes para ele, pois assim ele não se vê na obrigação de perder um dia de viagem comprando souveniers chineses para os familiares.Acho que ele tem razão.
Mas, voltando ao tempo, quando voltar a sair de casa, não usarei mais o meu relógio de pulso. Nesses dois meses ,deixei-o jogado na gaveta e não senti a menor intenção de consultá-lo. Não senti um vazio no meu pulso, nem vontade de pegá-lo para cronometrar um comercial que seria reduzido de 1:30 “para 1 ‘.
Mas, em compensação, aquela camiseta que comprei na saída de um show dos Rolling Stones, usei durante dias, até como pijama.