Alguns shows são descartáveis, talvez a grande maioria. Confunde-se emoção e verdade com pirotecnia e efeitos visuais. De tudo o que vi/ ouvi nos últimos tempos nada se compara aos maravilhosos espetáculos de Roger Water, ex-Pink Floyd e Titãs.
Roger Water com 80 anos mescla todo o lado lisérgico das músicas floydianas com letras de alta voltagem política. Independente de pactuar com suas idéias ou posições , Roger carrega a excência do Pink Floyd e presta uma singela homenagem a Syd Barrett, um dos integrantes da formação original que, anos depois, foi trocado por David Gilmour , seu desafeto confesso até os dias de hoje. Todos os clássicos do Pink Floyd passearam pela minha cabeça em mais de 2 horas de espetáculo, me fazendo voltar no tempo para o final dos anos 60, quando eu e meus amigos nos trancávamos num quarto com a luz apagada, o som no último volume e uma caixa de slides com moléculas e cromossomos levada do laboratório de Biologia da escola, girando sem parar , com as imagens sendo projetadas num lençol branco colocado suspenso contra uma parede. Perfeita viagem psicodélica a nos fazer flutuar aos acordes do Pink Floyd, do disco da vaca até Umaguma, aterrissando depois no Dark Side of the Moon. Show incrível e nostálgico, reavivando memórias.
Outro espetáculo chapante, foi o show dos Titãs, num revival de todos os grandes hits da banda, acrescido das melhores melodias que os integrantes desenvolveram em carreiras-solo. Mesmo com Branco Melo impedido de cantar e só participando da parte acústica ao violão, nada conseguiu tirar o brilho daquela noite mágica. Que energia, que letras inteligentes, líricas e ao mesmo tempo contestatórias. E ainda com a presença da filha de Marcelo Fromer cantando duas músicas. Também mais de 2 horas de espetáculo, simplesmente energizante.
Por fim, um terceiro show, mais intimista e calmo, mas extremante belo foi o de Corrine Bailey Rae. Voz maravilhosa, flutuante, ora agitada, ora bem calma, nos fazendo levitar. Um repertório que transita por vários estilos, do jazz ao rithym in blues, passando por algumas pitadas de sons progressivos.
Momentos únicos, insubstituíveis que fazem a vida valer a pena.