Assim como me sinto um privilegiado, por ter nascido e vivido boa parte da minha infância e adolescência na cidade que tinha o melhor time do mundo do século XX e o maior jogador do mundo de todos os tempos, o Santos Futebol Clube, time do Rei Pelé, sinto-me também um privilegiado por ter me apaixonado pelo tênis numa época em que surgiram e cresceram três dos maiores mitos de toda a história do tênis mundial. Refiro-me a Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic. Acompanho a carreira dos três desde os primórdios, desde que o meu ídolo Guga pendurou as raquetes. São estilos de jogos totalmente distintos, são personalidades bem antagônicas, mas, nas quadras, são três gigantes, que buscam a vitória do primeiro ao último set.
Existem quatro grandes torneios internacionais de tênis, o chamado circuito de Grand Slam, que são Australian Open, Wimbledon, French Open( Roland Garros) e US Open. Somando-se os resultados dessas 4 competições, Roger Federer e Rafael Nadal foram campeões 20 vezes e Djokovic, recentemente vencedor de Roland Garros, chegou à marca de 19 títulos e tudo indica que irá ultrapassar tanto a Federer quanto a Nadal por ser mais jovem e estar em plena forma física.
Nesses mesmo 4 torneios de Grand Slam, verdadeiras lendas do tênis mundial têm as seguintes pontuações: Pete Sampras, 14 títulos, Bjorn Borg, 11 títulos, Jimmy Connors, Ivan Lendi e Andre Agassi, 8 títulos cada um.
Essa regra de pontuação passou a vigorar a partir de 1968 e, desde então, nunca se viu um cenário igual a esse em que estamos vivendo nos últimos 20 anos, com Federer, Nadal e Djokovic alternando-se na liderança e não deixando espaço para mais ninguém.
E mais uma vez me sinto feliz por poder estar presenciando os jogos desses 3 fenômenos, nas transmissões ao vivo ou em VTs que assisto pela TV ou em vídeos e momentos históricos que revejo pelo YouTube no meu computador.
Porém, melhor que tudo isso, foi a emoção de poder vê-los ao vivo, no Ginásio do Ibirapuera, na companhia dos meus filhos, em jogos exibição primeiro de Federer, depois de Nadal. Naquele dia, por incrível que pareça, Federer conseguiu perder a partida para Thomaz Bellucci, o melhor tenista brasileiro à época , mas que nunca teve talento para substituir Guga no coração dos brasileiros ou chegar perto de uma final de Grand Slam.Ao final daquela partida, difícil foi explicar para o meu filho tenista como Federer havia perdido, mesmo sendo um jogo amistoso.
Coisas que só acontecem no tênis… e que justamente por isso o torna um esporte maravilhoso, hoje protagonizado por 3 tenistas fora de série que se alternam no lugar mais alto do pódio, enquanto eu , da arquibancada ou do sofá de casa, assisto a tudo ao vivo e em cores, vibrando a cada jogo, a cada final. Um privilégio que as gerações futuras só vão descobrir através de livros ou vídeos na Internet, porque dificilmente vão surgir 3 novos fenômenos simultaneamente.