Blog – anotações, pensamentos e coisas do cotidiano.

Sapo

A dor vinha  de repente, como um soco na boca do estômago. Era tão forte que me fazia curvar diante do teclado. Por alguns anos convivi com uma gastrite crônica. Um dos motivos detectados era por causa do consumo excessivo de Halls. Sim,eu consumia um tubo e meio de Halls por dia e aquilo era um veneno para o meu sistema digestivo. Mas o motivo principal eram os sapos. Sim, os sapos que engolia diariamente e não conseguia digerir.Aprendi a ser educado e até àquela época ainda não tinha clara a definição de que o ser humano é responsável por lhe dar as maiores alegrias e as maiores tristezas.

 Quando fui ao médico ele me perguntou se eu já havia dissecado um sapo. A camada de pele era grossa e se fosse um sapo de Cubatão, por exemplo, era mais grossa ainda com mais camadas de proteção na pele para se defender da poluição dos rios e pântanos da região. 

A receita que ele me deu era simples: cuspa os sapos para fora.Não imploda, não guarde dentro de si os problemas, cuspa-os para fora.

A agressividade tem que ser estimulada, a violência não. Em alguns casos você tem que ser agressivo, mijar no poste, demarcar território, dizer que não concorda sobre determinado tema ou postura. Gritar quando for preciso, alterar o tom de voz numa conversa. Mas sem agredir, sem bater, sem humilhar alguém. Ser agressivo, sem ser violento. Ou seja, não engolir mais sapos.

Nunca mais tive aquelas dores lancinantes. De vez em quando, num cinema, chupo uma ou duas balas de Halls e depois dou o resto para quem quiser. A vida segue e, ao contrário da maioria, adoro carne de rã, principalmente porque já vem sem nenhum vestígio de pele grossa e dá para comer de garfo e faca, pedaço a pedaço…

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.