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Safari

Existe o safari com rifles e espingardas e existe o safari com câmeras, lentes e grande angulares. O primeiro é banhando a sangue, dizimando animais   em extinção, sem dó. O segundo, é pura magia, silêncio e observação.

A alegação desses caçadores sem rosto é sempre a mesma: que têm licença para matar, que existe uma superpopulação de animais e que a caça no Brasil é permitida.Com isso, o Pantanal mato-grossense vai ficando sem onças-pintadas, a Mata Atlântica sem tucanos, a Amazônica sem micos leões dourados e por aí vai. E quando alguém se rebela ou denuncia essas chacinas, nossos Governantes saem cuspindo fogo e dizendo  que isso é coisa de ecologista verde viadinho…

Já o safari do bem, o safari fotográfico faz exatamente o contrário. Ao invés de extinguir os espécimes raros de nosso fauna e flora, eles cuidam de preservá-los através de imagens. Escondidos em meio à vegetação, num trabalho de tocaia e paciência, esses fotógrafos aguardam o momento certo de captarem uma imagem.De um macaco, de uma jaguatirica, de um filhote de águia, de um pássaro exótico, de uma borboleta, de uma garça, de um tatu bola, de um tigre…

Um desses grandes caçadores de imagens, chama-se Araquém Alcântara, talvez a pessoa com o maior acervo fotográfico da fauna e da flora brasileira. Araquém fotografa há mais de 45 anos e conhece todas as matas, todas as reservas, todas as cachoeiras, todas as paisagens, vegetações e animais desse Brasil, Conhece também diferentes tribos indígenas e ribeirinhos do Oiapoque ao Chuí.

Conheci Araquém nos anos 70, quando ia para a praia em dias de ondas altas, bem cedinho, com o sol ainda nascendo. Ao invés de surfar, ele ia de câmera em punho para fotografar urubus abrindo as asas e tomando os primeiros raios de sol. Por esse trabalho com os urubus, Araquém foi premiado internacionalmente. E outros prêmios vieram em seguida, quando ele fez um ensaio sobre os mangues de Cubatão. Pouco a pouco, ele foi deixando o Litoral Sul e se embrenhando na mata selvagem, sempre com seu equipamento. Hoje, deve ter mais de 30 livros publicados, não só de Natureza , mas também retratando o bicho-homem urbano dos grandes centros. Um de seus trabalhos, o que tem uma onça-pintada em close na capa, é o livro de fotografia mais vendido do Brasil. 

Vez por outra, me debruço a ler e ver alguns de seus livros. E me pergunto se boa parte de nossa gente conhece algum daqueles lugares e já viram algum daqueles animais. Ou se o sonho da grande maioria ainda continua sendo o de conhecer o camundongo Mickey.

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