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Pós-vida

Nesse céu sempre azul da Propaganda, sempre convivi  com algumas estrelas e pessoas egocêntricas. Em alguns casos, era assim:  Deus no céu,fulano na Terra, sujeito a alteração no decorrer do período… Lembro-me até de uma reunião em que o Cliente pediu uma mudança num comercial  e o diretor do filme bateu com força a mão na mesa dizendo que não iria fazer. E eu quase perdi a conta…

No meio desse ball masqué, uma pessoa se diferenciava de forma assustadora das demais. Um  cara extremamente simples, culto, educado. Um estranho no ninho. Físico , compositor e diretor de cinema. Com música até gravada por Caetano Veloso. 

Sem alarde, esse cara ganhou vários prêmios internacionais, filmes belíssimos, inclusive um que fez para minha agência, e com o qual ganhamos um Leão de Prata em Cannes, numa categoria dificílima. É que ele não pagava assessoria pessoal para que falassem bem dele e o colocassem em todas as mídias, opinando sobre qualquer coisa. Ele tinha mais o que fazer do que ficar lambendo o próprio ego.

Pouco a pouco, ele foi se afastando da Propaganda. E hoje tem um canal  de entrevistas no YouTube onde há cerca de 2 anos comenta sobre relatos verídicos de pessoas que viveram a experiência de serem dadas como mortas e voltarem à vida. Um assunto sério, polêmico e totalmente diferente do que simplesmente  filmar um comercial de um  brinquedo novo da Estrela,que, há alguns anos , ele fez para mim.

Quando liguei para ele, me disse que tinha acabado de conversar com uma mulher que à beira da morte recebera o órgão de um doador e que, na mesa cirúrgica, começou a ter visões de um homem que sorria para ela, sem que ela nunca o tivesse visto. Algum tempo depois, ao confrontar as fotografias do doador com as imagens do sonho, descobriu tratarem-se da mesma pessoa.

O programa no canal do YouTube chama-se Afinal, o que somos nós? Domingo sim, domingo não, ele exibe uma entrevista nova. Cada uma mais impactante que a outra, mostrando as experiências de pessoas que foram dadas como mortas  e que, por algum motivo, voltaram à vida alguns segundos depois.

Até então, achava que nesses segundos finais um flashback rápido  passava pela mente das pessoas,como um resumo da vida antes do instante final. Algo parecido com aquela montagem que mostrava Michael Jackson dos tempos dos Jackson’s Five até os seus últimos dias de vida, numa colagem super rápida de imagens.

Assistindo aos vídeos desse jornalismo científico,  descobri que  os relatos são os mais diversos e surpreendentes possíveis e que cada caso é um caso, não existindo um padrão nas histórias contadas. Também fiquei feliz em saber que o idealizador da série, Carlos Mendes, está totalmente envolvido nesse projeto,  mergulhando de cabeça na busca por desvendar os segredos da vida e da morte ou quase morte. Sem nenhuma saudade da egotrip publicitária.

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