Como toda a criança normal, eu lia gibis. Só que tinha um amigo do meu pai que colecionava gibis. Um belo dia, fizemos um trato: ele me emprestava 10 gibis eu lia e devolvia para ele e só depois recebia mais 10. Virei fã do mais antiherói de todas as personagens da Disney: Peninha. Ele era o cara mais easy going que existia, a antítese do sovina do Tio Patinhas, do passional do Donald, do meganha dedo-duro do Mickey, do romântico do Pateta e outros mais. Só o Peninha para me fazer rir e refletir sobre a irresponsabilidade, um palavrão dito com veemência para te atacar, mas que sempre me soou como um elogio.
Muitos anos depois, descobri Mauricio de Souza e mais uma vez acabei me afeiçoando pelo antiherói Chico Bento, mesmo não tendo nascido no interior. Aquela simplicidade era a versão moderna do Jeca Tatu.Um discurso extremamente atual de defesa da ecologia e de valores mais simples e naturais. Tentei vender uma campanha em quadrinhos para filhos de funcionários de uma multinacional química, protagonizada pelo Chico Bento. Fiz até reunião com a Mônica, ao vivo.
A campanha era para alertar as crianças sobre o risco dos transgênicos e seus efeitos colaterais. Algumas semanas depois, recebi a informação de que eles tinham gostado da idéia, só que o Chico Bento teria que falar bem dos transgênicos, como uma revolução que iria acabar com a fome no mundo e prevenir a Natureza de pragas e doenças. Nunca mais toquei no assunto e botei a culpa na Mônica que não me passava informação.