A convivência diária nesses últimos 5 meses tem gerado muita discussão, atritos e desavenças debaixo do nosso teto. Principalmente porque somos em 8 – 7 de duas pernas e 1 de quatro patas. O cão faz xixi em todos os cantos – é só alguém deixar uma porta aberta. Os outros 7 acumulam louça suja na pia, roupa suja no tanque e máquina de lavar, roupa limpa na lavanderia, resto de comida na geladeira, resto de comida no quarto, copos vazios por todo o canto da casa, meias sem par espalhadas pelo chão.. enfim, uma zona. Com a rotina quebrada, os estudos modificados, as reuniões via zoom, tudo se transformou, todos os espaços foram ocupados. A casa virou um acampamento.
Talvez o único canto onde reine a paz e a serenidade, seja o quarto da minha filha mais velha. Como um relógio, ela acorda todos os dias às 6:30h , prepara o seu café, arruma a cama, liga o computador e às 7 h já está em aula online. Mais tarde, desce para almoçar, volta para as aulas vespertinas, depois faz ginástica com o som alto, lê mais alguns capítulos do quinto e último livro da saga After , desce para jantar, acessa uma série de TV no computador e vai assim até umas 23 horas, quando desliga todas as luzes.
Aos finais de semana, sai para pedalar, tomar água de coco e/ou encontrar alguma amiga. Ainda encontra tempo para tocar uns negócios de gastronomia que criou durante a pandemia junto com a mãe e que lhe rende algum dinheiro extra. E , nas folgas, também estuda para o vestibular no final do ano.
Olhando em volta, tudo parece um caos. Olhando o quarto dela, um oásis. Até o ar ali é mais perfumado. Tudo limpo e arrumado, gavetas, armários, banheiro. Uma noite dessas, fugi para lá para relaxar e bater um papo com a minha filha, enquanto rolava uma discussão em alto volume na sala sobre horários, deveres e trabalhos escolares não entregues. Deu vontade de fechar a porta do quarto dela e curtir aquele momento de paz, ao lado daquela menina doce que , mesmo com toda a insegurança que a entrada na vida adulta provoca, tenta manter a calma e encarar de frente os problemas que começam a surgir de forma mais evidente na sua vida. E que só perde o controle quando, ao acordar, se depara com uma espinha gigante, bem no meio da testa…
2 respostas
AMMEEEIII!!!! 🤩❤️🤣
Thanks Dad, ILY
Estas crônicas caberiam bem em um jornal, se ainda houvesse jornal, se alguém ainda lesse jornal, não é? Muito bom.