“Pedras que rolam não criam musgo” , ditado atribuído a Erasmo de Roterdam e que, alguns séculos depois, virou tema de uma música de Muddy Waters, uma das grandes lendas do blues, traduz fielmente toda a magia e filosofia de vida emanada pela mais longeva das bandas de rock do planeta, os Rollings Stones.
Com 60 anos de vida/história, os Rollings Stones acabaram de lançar, no dia 20 de outubro de 2023, um novo álbum somente com composições inéditas e prometendo excursão para 2024. Detalhe: os integrantes da banda original estão todos na faixa dos 80 anos, o que é algo absolutamernte incrível. Algo mágico e surpreendente, mesmo para quem viveu esses anos todos regado a muito sexo, drogas e rock’n’roll.
Tudo começa em 17 de outubro de 1961. Mick Jagger, então com 18 anos, esperava o trem pela manhã, a caminho da London School Economics. Em uma das mãos, trazia os LPs de Chuck Berry e Muddy Waters( ele de novo).
Na mesma plataforma 2, Keith Richards, 17 anos, iria pegar o mesmo trem que o levaria até a escola de artes na cidadezinha de Sidcup. Keith fica admirado e impressionado com o gosto musical de Mick e aproxima-se dele para conversar durante os 15 minutos de trajeto até Sidcup.
Nascia ali uma das mais famosas parcerias musicais do rock( Jagger-Richards), talvez só comparada a outra dupla britânica( Lennon – McCartney).
No ano seguinte, em 1962, The Blues Boys( primeiro nome da banda) vai se apresentar pela primeira vez numa boate londrina, o Marquee Club. Um repórter liga para o local de ensaio para saber mais detalhes sobre essa estréia, e quem atende o telefone é Brian Jones,guitarrista e integrante da formação original e, para muitos estudiosos, o primeiro líder do grupo. Nervoso, e sem lembrar o nome da banda, ele vê um disco de Muddy Waters ( de novo)jogado no chão, em que uma das faixas chamava-se Rolling Stones. Sem pestanejar, ele diz que a nova banda irá chamar-se The Rolling Stones e o jornalista divulga a informação no mesmo dia.
Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones faziam parte da formação original. Depois vieram Charlie Watts na bateria e Bill Wyman no baixo. Brian Jones morreu afogado na piscina de sua mansão em 3 de julho de 1969 , Bill Wyman abandonou a banda em 1993 e Charlie Watts morreu aos 80 anos , na ativa, em 2021.
Ron Wood, depois de uma passagem brilhante por outra banda , The Faces, que tinha como vocalista ninguém menos que Rod Stewart, transformou-se no novo integrante official da banda.
Jagger, 80 anos, Richards, 79 anos, e Wood, 76 anos, poderiam tranquilamente estar cuidando dos netinhos ou fazendo viagens pelo mundo. Mas, ao invés disso, passaram alguns meses trancados no estúdio e, este mês, acabaram de lançar o álbum “Hackney Diamonds” só com composições inéditas, e parcerias maravilhosas com Lady Gaga, Steve Wonder, Paul McCartney, Elton John e muitos outros.
Desde 2005 que os Stones não lançavam um ábum novo, só trabalhos solo de seus principais integrantes. Já trabalhei com velhos de 18 e jovens de 70. Agora, na faixa dos 80, são poucas as pessoas que conheço que ainda estão na ativa, produzindo, ousando, inventando, criando, rolando, como os Stones.
Se musgo, na cultura ocidental tem a ver com mofo, estagnação, inércia… na cultura oriental, tem a ver com longevidade, perenidade. Então, se juntarmos as duas visões, chegaremos nessa simbiose maluca que faz dos Rollings Stones a banda mais supreendente da face da Terra. Um meteóro que emana luz há 60 anos, nos fazendo curtir uma filosofia de vida rock’in’roll, cujo princípio básico é um só: movimento( físico e mental).
E então, vai continuar aí sentado?