Escrever Humor é muito difícil. Vide a quantidade de filmes, livros e espetáculos absolutamente sem graça, mesmo intitulados humorísticos. Existe o humor escrachado, aquele que faz a gente rir de forma espontânea, solta; existe o humor refinado, que primeiro nos faz pensar e , uma fração de segundo depois, nos faz rir, nem que seja um esgar. Existe o humor debochado, o humor ferino, o humor infantil…
Ser engraçado requer muito treinamento e muito talento. A mesma piada contada por 2 pessoas pode fazer você morrer de rir ou ficar com aquele olhar de marasmo.
Um belo dia, um ex-chefe me apresentou o pai dele, renomado escrito de novelas da Rede Globo. Como nós dois gostávamos de escrever, esse ex-chefe me pediu para apresentar alguns de meus roteiros de filmes, spots de rádio e mais alguns trabalhos que vinha fazendo e que estavam sendo veiculados em diferentes mídias. O pai famoso leu e ouviu tudo com uma atenção acima do normal. E vi que ele ria de forma sincera , e não para agradar ao filho, quando algum trabalho apresentado tinha uma pitada de humor. Num determinado momento ele interrompeu a apresentação , olhou sério para mim e perguntou, na lata: quer mudar para o Rio? Como assim? Eu acabara de alugar uma quitinete em São Paulo e estava pagando a prestação do fogão e da geladeira… Resumindo, arreguei. E perdi a chance de trabalhar no núcleo comandado por Max Nunes e Arnold Rodrigues na Rede Globo que escrevia textos para feras como Chico Anísio, Jô Soares, Renato Aragão e os Trapalhões e outros mais. Continuei em Propaganda , mas nunca esqueci aquele convite que teria mudado totalmente o curso de minha vida, tanto profissional como pessoal. E que certamente me faria uma pessoa mais bem- humorada.