Recentemente perdi uma pessoa que sempre admirei e sempre me ajudou, Enzo Barone. Ao lado de Tico Terpins ou de Thomas Roth , construímos parcerias incríveis . Uns cuidando das imagens, outros do som.
Começamos no tempo da moviola e chegamos à digitalização, isso num espaço de menos de 30 anos. O Enzo gostava de montar verdadeiras mesas gastronômicas, principalmente quando a apresentação na tal moviola era no final do dia. Tinha muita comida e muita bebida. Naquela época, bebia-se muito e tinha filme que era aprovado debaixo de palmas, gritaria e manifestações singelas, como puta que o pariu, essa campanha ficou do grande caralho! E por aí vai… principalmente quando o elogio vem do Cliente.
Uma bela noite, já na terceira remontagem e todo mundo meio de fogo o montador berra: ninguém se mexe, perdemos o fotograma do recheio da sobremesa. Tratava-se de um comercial de sobremesas geladas , uma delas com recheio de passas . Toca a olhar no chão, na sola de sapatos, na mesa da moviola e nada. Todos tensos e o Enzo já se comprometendo a refilmar a cena no dia seguinte, quando o cara do marketing, nervoso, resolve tirar o paletó. Com o movimento, o fotograma se desprendeu da manga do paletó e caiu, calmamente, no chão. Todos respiraram aliviados, e aquele close do recheio da sobremesa gelada pude assistir no Fantástico, duas semanas depois.