Quase 20 milhões de brasileiros convivem diariamente com a fome. Lembro-me da frase de um presidente de uma associação de auxílio a crianças carentes para quem fiz campanhas no passado: “de nada adiantam todas as ações futuras se, no presente, uma criança com idade entre 1 a 3 anos, não for bem alimentada, pois ela vai levar sequelas para o resto da vida.”
No Brasil, considerado um dos celeiros do mundo, responsável por alimentar 1 em cada 4 pessoas no Planeta, uma população quase que do tamanho de uma Argentina, não tem o que comer.No estômago apenas ar e dor, enquanto as sobras e descartes de alimentos apodrecem e são jogadas no lixo sem que se crie uma política pública de doação e escoamento dessas sobras para quem passa fome.
Nossos políticos estão empenhados em pautas muito mais glamurosas, como aprovação de gastos com campanhas para reeleição de 2022, cujo dinheiro será utilizado para produzir temas, filmes e sites repletos de promessas e mentiras, só que com produção hollywoodiana.
Em Cuiabá., um açougue começou a distribuir ossos. Sobras da desossa.Um quilo de pedaços de ossos para cada esfomeado. A notícia se espalhou e rapidamente formou-se uma grande aglomeração, criando filas nas imediações desse açougue. Ao redor desses ossos doados, carne, cartilagem e gordura. Que os sortudos contemplados misturam ao feijão , servindo para encorpar o caldo que depois é misturado com um pouco de arroz. Pronto, o banquete esta servido. Quase uma feijoada. De ossos.
Do outro lado da mesa, os irmãos Batista dominam o mundo, levando a carne brasileira para os 5 Continentes com um padrão de qualidade excepcional, tudo graças ao empurrãozinho dado pelo BNDS ao financiar bilhões para a JBS, num passado recente. Nós, ficamos com os ossos. O mundo com a carne de primeira. E os políticos com a barriga cheia.