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Dilema

De todos os documentários que assisti nos últimos tempos, nenhum me causou mais inquietação do que THE SOCIAL DILEMMA., lançado mundialmente no dia 9 de setembro deste ano. Todas as minhas suspeitas, todos os questionamentos que venho fazendo nos últimos anos estão ali, escancarados naquelas quase 2 horas de entrevistas com ex-executivos do Google, Facebook, Snapchat, Linkedin, Instagram .Todos os gigantes digitais que dominam nossos corações e mentes são mostrados por dentro, nos bastidores. Os relatos, em alguns casos angustiantes, são dados por pessoas  que estiveram no olho do furacão, dentro da engrenagem,  gente que ajudou a fundar uma série de aplicativos e plataformas para esses grupos bilionários que dominam as bolsas e os negócios mundiais.Em alguns momentos, esses executivos se assemelham a ex-drogados dando depoimentos de como conseguiram se libertar do “vício”. 

 São relatos de pessoas reais questionando o limite das máquinas,  o poder  da inteligência artificial e os mecanismos  utilizados  por esses poderosos conglomerados para nos seduzir e nos anestesiar mentalmente.  Eles falam dos efeitos nocivos que essa dependência tecnológica vem causando nas novas gerações e do descontrole psíquico que a convivência diária com as telas vem promovendo, de forma silenciosa e sistemática.

Confesso que, ao final do vídeo, me senti aliviado, pois tudo aquilo que costumo criticar das redes sociais , desde a manipulação de dados até o deliberado processo de alienação das comunidades e tribos que vêm se formando na internet estão ali, nos depoimentos e alertas desses ex-executivos.  Até a figura sinistra de Vladimir Putin aparece nesse documentário, o que mostra de forma claríssima que o grande objetivo , a grande meta de todo o “sistema”, é o de destruir todos  os  governos democráticos no mundo. Sim, o objetivo principal é colocar em dúvida todos os sistemas democráticos vigentes no planeta, o que é algo no mínimo assustador. 

Agora, o mais estarrecedor de tudo, é a declaração de um desses ex-executivos que , de forma categórica, diz que proíbe os seus filhos menores de 16 anos de terem acesso às redes sociais, por considerá-las perigosas e tóxicas. 

E aí eu me pergunto: como limitar o acesso dos meus filhos às redes sociais  se todos à sua volta passam mais da metade do tempo presos a celulares, tablets e computadores? Acho que vou me mudar para Portugal, onde , graças a Deus, a Internet está “atrasada”.

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