A tal leveza e alegria do povo brasileiro cada vez mais se dissipa nas redes sociais. Conheço gente que no olho no olho se mostra dócil, cordata e gentil, parecendo até ter sentimentos nobres, mas que ao sentar-se na frente de um computador vira bicho, vira macho, destila ódio e rancor.
Os profetas do cotidiano dizem que vamos sair mais fraternos dessa pandemia. Outros, mais violentos. A fina casca de civilidade que permeia a sociedade pode se romper a qualquer momento. Vamos ter mais desemprego, mais fome, mais desigualdade. O SUS não vai melhorar da noite para o dia, o saneamento básico não vai ser solucionado à toque de caixa, o frio não vai perdoar a população de rua, o PIB não vai crescer, a economia não vai acelerar, os impostos não vão baixar. A frase da moda não é mais resiliência. A frase da moda é “o novo normal”. Mas, como falar em normal, se tudo o que imagino pela frente vai nos levar a atitudes anormais? A fina casca de civilidade está prestes a fazer “crec”.