A reforma da Previdência era para ser aprovada no Governo FHC, chegou no Governo Temer em discussão e continua tramitando pelo Governo Bolsonaro, com emendas e mais emendas, até se transformar numa colcha de retalhos.
A lei de Saneamento básico continua tramitando desde a época do Império em intermináveis discussões e, com isso, mais de 40% da população brasileira continua sem uma rede de tratamento de esgoto decente até hoje.
A Lei de Ajuste Fiscal que obriga o Governo a fazer corte de gastos e tentar conter o déficit de bilhões e que vem se agravando ainda mais com a pandemia, também está em discussão há anos sem que haja o menor cheiro de consenso, principalmente porque mexe no bolso de muita gente que ganha no mole.
As prisões decretadas pela Lava-jato continuam fazendo a fortuna dos mais importantes escritórios de advocacia do Brasil, que impetram mandatos e mais mandatos até conseguirem libertar toda a corja que assaltou o país durante décadas, fazendo com que tudo termine em pizza e em tornozeleiras eletrônicas.
As delações premiadas que mostram por A+B que fulano e sicrano receberam milhões por baixo do pano em esquemas ilícitos de Caixa2, continuam movimentando todos os cabeças do STF, que impetram suspensões de investigações, revisões e arquivamentos de processos e mais processos e , com isso, as altas cúpulas dos principais partidos do pais que durante anos mamaram nas tetas da Odebrecht continuam impunes e com a mesma cara de pau.
A trilha sonora de Brasília continua sendo Bolero de Ravel, porque os problemas não acabam nunca. A coisa se estende, se estende, se estende e não chega ao fim. É a Lei do Tudo Decidido, Nada Resolvido.
Ainda bem que o nosso Ministro da Economia está preparando um novo imposto para ser aprovado, taxando todas as transações financeiras feitas por meios eletrônicos. Quebrando a regra, esse novo imposto virá mais ligeiro que o Bip-Bip e vai provar que o Brasil não dorme no ponto. E , ao invés de Bolero de Ravel, o que vamos ouvir é a Nona de Beethoven, tamanho o estrago que ele irá causar no bolso dos brasileiros, enquanto Brasília aplaude e grita: Bravo!!!!