Eu nunca confundi elegância com inteligência. O simples fato de alguém ostentar uma indumentária chic , de corte impecável e ainda por cima manter o queixo erguido e o olhar altivo não me impressiona em nada e muito menos me intimida. Geralmente, essas pessoas impecavelmente vestidas com roupas caras e de grifes famosas costumam ter o péssimo hábito de medir,da cabeça aos pés, seus interlocutores de forma quase que acintosa com a clara intenção de deixar no ar um certo constrangimento. Geralmente, quando me deparo com esse tipo de situação,lembro- me do refrão da música do Lobão, Elegance avec Decadance, com aquele ouououououououou todo. Coro gutural de fundo , com as joias balançando à frente.
Na ponta oposta, me encanta conhecer alguns malucos- beleza gente despojada no vestir , mas brilhante nas ideias. Geralmente usam roupas básicas ou confortáveis e se apresentam de forma simples e verdadeira, sem ostentação. Não estão preocupados com as cores da próxima coleção Primavera-Verão, mas, em compensação,falam de vida, amor,natureza, sentimentos com muito mais propriedade e poesia.
Entre ouvir uma besta impecavelmente vestida ou uma cabeça aberta de chinelo Havaianas, sem dúvida fico com a segunda hipótese, pois é muito mais enriquecedor o diálogo, por mais rica que seja a primeira pessoa.