Hoje todo mundo se familiarizou com o formato, muito difundido pela MTV, das gravações de acústicos, lives e afins. Mas lá atrás, no final dos anos 60, em meio a uma barulheira ensurdecedora de Led Zeppellin, Deep Purple, Black Sabbath , Cream , Hendrix, Doors e outros, aquele disco duplo Four Way Street, com Crosby, Stills, Nash e Young, foi algo incrivelmente novo para os ouvidos de quem gosta de rock . Quatro gênios da música, sentados em banquinhos, com seus violões em punho, dedilhando estrofes calmas, contagiantes . Tudo extremamente melódico e poético, de uma simplicidade emocionante. Acho que foi a primeira vez que tomei contato com aquele formato , do disco acústico gravado ao vivo.
Por ser um disco duplo inesquecível, que abria como livro, era ali que eu escondia os Lps que iria levar no mês seguinte, quando tivesse algum dinheiro novo. Chegava na loja no final do mês, tirava o plástico do 4 Way Street e pegava o novo disco de algum outro astro do rock para levar para casa. O dono da loja fingia que não via essa minha tática e deixava rolar, preferindo fidelizar o cliente.
Recentemente, alguém me ofereceu uma ninharia para levar toda a minha coleção de Lps que a duras penas consegui formar, economizando dinheiro e escondendo discos no miolo de Lp duplo. Com discos não só de rock, como também de blues, jazz, soul, funk, rythim in blues, clássicos, trilhas de filmes e tudo o mais… só não tem pagode e sertanejo. Alguns , inclusive, com autógrafos de Tim Maia, Sergio Batista(Mutantes) e Eric Burdon ( Animals).
Não aceitei a proposta. E fiquei com uma vontade enorme de , um dia, comprar uma vitrolinha…