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Simbolismos

A vela simboliza vida e morte. Ela está no bolo de aniversário e no castiçal ao lado do caixão, no velório.

As flores idem. Elas são enviadas pelos apaixonados, pelos filhos, pelos amigos como símbolo de amor, carinho, gratidão, traduzindo vida, cor, paixão. Já coroas de flores são mandadas por empresas, famílias, corporações e  amigos como forma de prestar uma última homenagem ao recém-falecido.

Para vestir o morto, o terno e a gravata mais bonita usados numa festa chic e divertida também vão estar ali naquela celebração  antes da cremação ou do sepultamento.

Ninguém percebe, mas vida e morte andam juntas, lado a lado. Depois de um tempo, o homem perde a ilusão de ser eterno. Começa a compreender suas limitações, a viagem do tempo, o caminho sem volta. 

Aquele tabuleiro de xadrez do filme Sétimo Selo, de Bergman, em que o soldado guerreiro joga contra a morte, movendo cautelosamente cada peça, até ouvir o xeque-mate inevitável, traduz de forma magistral a volatilidade da vida, a nossa finitude. Estou aqui de passagem, diz a música. Quantos sopros de vela, quantas passagens de anos iremos protagonizar? Ninguém sabe. É por isso que adoro quando a minha filha pequena me surpreende a cada ano com velas de aniversário cheias de truques e cores, que espalham estrelinhas, que colorem o bolo, que irradiam vida. Elas me distraem, pois em nada se parecem com aqueles castiçais de igreja com velas grossas, com cara de funeral.

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