Assisti recentemente ao filme francês Mignonnes, que aqui no Brasil ganhou o título de Lindinhas. À primeira vista, parece algo inofensivo, como brincadeira de criança. Mas à medida que a trama evolui, vê-se claramente o quão vulneráveis estão meninas pré-adolescentes do mundo inteiro, diante do bombardeio de imagens eróticas a que são submetidas, via celular, diariamente.No filme, nem o pano de fundo étnico e a desigualdade social dos imigrantes islâmicos consegue prender mais a atenção do que o rebolado sexy das meninas, as tais lindinhas.
Sob o pretexto de ensaiarem passos de uma nova dança, tendo por trás uma trilha sincopada e marcante, essas meninas começam a praticar, logo cedo, movimentos e gestos altamente eróticos, sem perceber que estão atraindo uma legião de pedófilos do mundo inteiro, que se masturbam e gozam em 15 segundos, no ritmo lascivo daqueles corpos infanto-juvenis , mas de gestos e olhares permissivos e sensuais.
O tal Tik-Tok fenômeno mundial que tanto incomoda ao presidente Trump pela forma como vem se disseminando no território norte-americano, deveria incomodar também a todos os pais que têm filhas nessa faixa dos 10 anos. Tentando ser ingênuo e divertido, o Tik-Tok transforma essas meninas com rostos de bonecas em sensuais Beyoncés, Lady Gagas , Kardashians e afins. Nessa dança aparentemente ingênua, elas fazem caras e bocas, arrebitam o bumbum e se contorcem como se estivessem em pleno coito anal. E dublam gemidos, suspiros e êxtases alheios com total perfeição. Acreditam que o sincronismo é o grande barato. Mas demoram para perceber que a real intenção de tudo aquilo é encurtar distância entre a infância e a juventude, instigando-as a expor o corpo e a se sentirem desejadas, como acaba fazendo a protagonista do filme.
A loucura do mundo moderno não poupa nem o tempo que essas meninas deveriam ter para passar suavemente de uma fase a outra, da infância para a adolescência. Em que elas naturalmente iram deixar as suas bonecas de lado e começariam a olhar com mais interesse para um colega de classe, por exemplo.Agora, elas são instigadas à erotização precoce, ao exibicionismo fútil, na busca por likes nas suas páginas do Instagram. E quem sabe no futuro tenham que rebolar muito para conquistarem respeito.