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Plastificado

Haverá mais plásticos do que peixes até 2030 nos oceanos. Não há nenhuma proteção aos berçários onde os peixes se reproduzem. Pela falta de saneamento básico , os peixes, já na fase larval, consomem em abundância pedaços de plástico presentes na água. Na fase larval, os peixes são fundamentais para a preservação do ecossistema, pois representam futuras populações de peixes adultos. 

No estágio mais vulnerável da vida, os peixes consomem cada vez mais plásticos infestados de toxinas. Principalmente os fragmentos plásticos azuis, que são confundidos com alimentos e algas e ingeridos pelos peixes e demais animais marinhos.

O investimento no gerenciamento de resíduos foi reduzido em cerca de 80% nos últimos anos e, com isso, o problema tende a se agravar cada vez mais no Brasil. Num futuro não tão distante iremos comer peixes com gosto e fragmentos  de plástico, pois em recentes análises  em diversas espécies de cardumes foram encontrados até 5mm de resíduos plásticos no organismo dos animais. 

Recentemente, eu e um grupo de banhistas tentamos salvar uma bela tartaruga jovem que morreu asfixiada por confundir um pedaço de plástico com uma alga. Lembrei-me do tempo em que cursava a Faculdade de Tecnologia do Mar , no Guarujá, onde tinha aulas com professores peruanos, japoneses e espanhóis. Um deles me deu para provar uma alga que tinha o gosto de uma laranja. Outro me explicou sobre os inúmeros cruzamentos de espécimes marinhas que os japoneses estavam desenvolvendo para criar peixes com carne mais abundante e saborosa. Eram como engenheiros agrônomos, nutricionistas e biólogos só que voltados para preservar a fauna e a flora marítima.

Para desespero do meu pai, a Faculdade de Tecnologia do Mar faliu, deixando na mão cerca de 300 alunos no final dos anos 70, Alguns buscaram transferência para uma  faculdade de Oceanografia ;outros, como eu,  desistiram do sonho de se transformar em engenheiros e agrônomos do Mar. Tomamos outros rumos, seguimos outros  caminhos profissionais.

Quem sabe, hoje, se tivéssemos concluído aquela faculdade de Tecnologia do Mar, estaríamos mais ativos e prontos a  denunciar todas as atrocidades que vêm sendo cometidas, impunemente , em toda a costa litorânea brasileira, prejudicando não só a fauna e a flora marinha como também o apelo turístico de nossas praias, cada dia mais sujas e impróprias para  banho. 

Um dia desses, sentado na areia, meditando e olhando a linha do horizonte, entre o azul do céu e o azul do mar, pensei,  meio cético: da linha para cima, buraco de ozônio e poluição; da linha para baixo, plástico e derramamento de petróleo. Fechei os olhos e respirei fundo, soltando o ar bem devagar…

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