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Foco

Admiro aquelas pessoas que miram um ponto distante e vão atrás, custe o que custar. Tomam porrada, caem e levantam, mas nunca perdem o foco, a meta. Algumas vezes morrem frustradas ou deprimidas, pois por mais que se esforcem não conseguem chegar lá, no ponto almejado. Mas há aquelas iluminadas que conseguem construir uma história de sucesso, em meio a todos os obstáculos que essa vida traiçoeira lhes impõem. Uma dessas pessoas que certamente vai chegar lá chama-se Quentin Tarantino, diretor de cinema. 

Vi recentemente o seu último filme, Era uma vez em Hollywood, uma sátira mordaz, mostrando aquele brilho falso que permeia todas as histórias da meca do cinema, misturando realidade com ficção , Polanski com Mama Cass, Steve McQueen com Charles Manson e Sharon Tate com coelhinhas da Playboy. Um enredo que é a antítese da calçada da fama, o brilho opaco de um astro decadente, levando junto o seu fiel dublê nesse rabo de foguete. Puro humor negro, pura diversão.

Esse diretor passou boa parte da vida trabalhando numa locadora de vídeos VHS, dormindo no chão , alimentando-se de filmes e mais filmes, digerindo diretores, atores e atrizes dos mais variados gêneros e estilos. Até que um dia ganhou coragem, ganhou espaço e passou a mostrar seus próprios filmes. Porém, lá atrás, disse numa entrevista, ainda como um ilustre desconhecido, que iria produzir 10 filmes e parar. Essa era sua meta. Disse também que iria produzir 10 filmes memoráveis, coisa que muitos contestam, dividindo seu trabalho entre obras maiores e  menores.

Mas isso pouco importa. Quantas obras-primas só foram reconhecidas muitos anos após lançadas e serem execradas  num primeiro momento pela crítica?Ou mesmo que nasceram malditas e viraram cult. O que vale é que Tarantino está prestes a cumprir sua meta. Já está no seu 9º filme: Cães de Aluguel, Kill Bill I e II,  Pulp Fiction, Bastardos Inglórios,Os Oito Odiados, Django Livre, Jackie Brown, À prova de Morte.

Daqui a 1 filme, Tarantino vai assistir ao seu definitivo The End. A sua última sessão de cinema. Depois de tanta Ação qual será a sua Reação? Sentimento de dever cumprido ou uma vontade louca de colocar a mão numa claquete? Talvez migre para o teatro, talvez passe a escrever livros ou roteiros para amigos. Talvez case e tenha filhos. Mas, por enquanto, só nos resta esperar a sua derradeira homenagem ao cinema, seu último filme. Que bom seria se todos nós pudéssemos estabelecer o momento certo de parar, por opção e não pela idade, nem pelos cabelos brancos. As histórias seriam mais leves e não precisaríamos de Hollywood para nada.

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