Nunca vi um gato seguindo um carroceiro, nem sentado ao lado de um cego que toca violão e pede esmolas. Nunca vi filmes que mostrem o amor incondicional do gato pelo seu dono e nem que relatem histórias de lealdade , sacrifício e companheirismo entre felinos e humanos. Películas com cachorros, cavalos, lobos e até cobras existem aos montes. Agora, gatos… só em desenho animado ou filmes de terror. Nunca gostei de gatos, nem mesmo quando eles se deitam ao seu lado e roçam sutilmente o pelo na sua perna. Uma vez fui enxotar um gato para fora de casa com uma vassoura na mão e , numa fração de segundos, o bicho se transformou, ficou curvo, com os pelos eriçados e partiu para cima de mim com olhar ameaçador, garras afiadas, tentando me hipnotizar. Parecia que tinha baixado o Capeta naquele bicho. Mas deixando as neuroses de lado, uma coisa tenho que reconhecer: o gato é muito mais prático e objetivo que os cães. Eles não te lambem, não abanam o rabo nem pulam freneticamente em cima de você toda a vez que te vêem. Se o dono adoece ou perde o emprego, a cão fica ali, ao seu lado, passando fome junto com ele. Já o gato, pula o muro e vai comer a comida do vizinho, simples assim. Até a Mulhergato era interesseira nos filmes do Batman, que vivia arrastando suas asas de morcego para cima dela, mas, na hora H, ela caia fora. Nos dias de hoje, a filosofia felina está muito mais em alta que a canina. Enquanto o cachorro espera o assobio do dono , o gato vai atrás dos seus objetivos, atrás do novo, sem medo . O processo de busca não é saber, mas ter idéias, não é conhecimento, é inspiração. Idéia é mais gato que cachorro. Vem quando quer, não quando é chamado.