Num desses encontros para falar de Criatividade e de Novas Ferramentas de Pesquisa e Planejamento, o pessoal da matriz convocou os representantes da América Latina para 3 dias de imersão total .Os gringos adoram esses encontros para nos passar toda a filosofia e técnicas de abordagem, bem como da estrutura das campanhas internacionais, para que a gente saiba exatamente o que devemos falar e vender para os clientes globais, que no fundo é o que interessa para eles.
Ao lado de mexicanos, peruanos, chilenos, argentinos, porto-riquenhos,venezuelanos, uruguaios, paraguaios e outros mais, nós somos uns estranhos no ninho. Os “holla , que tal ? “ falam a mesma língua, gostam das mesmas comidas, discutem política com a mesma paixão com que discutem futebol e, em alguns casos, até se parecem fisicamente.
Nós somos um continente à parte, não pertencemos a América do Sul. Temos no mínimo 4 brasis dentro do Brasil. Temos frio e calor, loiros, negros e mulatos, tudo misturado. Temos sotaques, costumes, atitudes totalmente diferentes.
A maior prova disso é que o Mercosul nunca deu certo, nunca existiu. O Chile nunca entrou, a Argentina sempre jogou contra, o Uruguai sempre foi fleumático e o Paraguai garante imposto mais baixo para empresas brasileiras que se instalarem por lá.
Agora, com a imagem abalada pelos constantes desatinos de nossos governantes, os países do Mercosul vêm se afastando cada vez mais do Brasil. A ponto de marcarem uma reunião com o presidente Donald Trump para demonstrar união, apesar do brasileiros.
Com toda essa discussão em torno da revisão dos modelos globais de negócios, está mais do que na hora de nós começarmos a mirar oportunidades além do agronegócio. Temos que avançar em pesquisas científicas, em tecnologia, em infraestrutura. Olhar para frente, para os outros continentes ao invés de olhar para trás. Se a Coréia do Sul consegue estar entre as grandes potências mundiais, mesmo sendo menor do que o Estado de São Paulo é porque investiu pesado em inovação . Esse é o jogo. Mais chips, menos alfajors.