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Hábitos e costumes

A gente vai se acostumando. Com o palavreado chulo, com as embalagens reduzidas, com as restrições ministeriais, com a sujeira dos rios, com o gosto estranho da água, com a conta abusiva de luz, com o trânsito sempre congestionado, com a falta de médicos, com o preço dos remédios, com as alterações das leis, com os erros constantes do Var, com o estupro de crianças, com o crescimento das favelas, com a prostituição de menores, com os abortos clandestinos,  com a baixa qualidade do ensino, com o fechamento de escolas, com o crescimento do crime organizado, com o contrabando de armas,  com o desembarque de conteiners repleto de drogas nos principais portos do país, com a queima de arquivos,  com as leis trabalhistas , com os impostos abusivos, com o desmatamento, com o crescimento desordenado das grandes cidades, com as enchentes, com a poluição cada vez mais sufocante, com a sujeira da cidade, com a pichação de monumentos, com o espancamento de mulheres, com o suicídio de jovens, com  o crescimento de transtornos de pânico, depressão, ansiedade, burnout e demais sintomas, com a alta do dólar, com a alta do euro,com a perda do poder de compra, com a nossa baixa autoestima, com a nossa síndrome de vira-lata, com a apologia da miséria, com o pagode na laje, com o churrasquinho de carne de gato, com a nossa ignorância.

Agora, que o ministério da Cultura vai voltar vamos transformar tudo isso e positivar o lado folclórico do brasileiro. Vamos rir da própria desgraça, enquanto aquela ex-futura mulher do compositor famoso vai voltar a ganhar rios de dinheiro, tratando tudo isso com extrema poesia e uma falsa dignidade. Para não dizer que não falei de flores…

A gente vai se acostumando. Sem gritos, sem medidas radicais, sem rupturas. Tudo feito lentamente, na calada da noite, depois que as luzes dos 3 Poderes se apagam. Para não dar bandeira, para não dar na vista. Tudo feito lentamente, enfiando devagarinho para não doer. Neste país, a vaselina chama-se democracia. 

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