Até as salas de cinema hoje em dia ficaram mais chatas. Eles não te deixam mais ficar para uma segunda sessão, alegando que o “sistema” pode ter vendido a poltrona onde você está sentado neste momento. Digo que peguei a sessão começada e quero ver o começo do filme. Eles dizem que vão abrir uma exceção , mesmo com 80% das cadeiras vazias à minha volta. E toda essa discussão, num sábado chuvoso à noite, com poucas pessoas nas ruas deve-se única e exclusivamente à genialidade de um dos maiores músicos da história do rock, David Bowie.
Chamado de Camaleão do Rock , Bowie está em cartaz no filme Moonage Daydream. Sua vida, sua história, suas músicas, explodem de forma lisérgica e caleidoscópica na tela gigante em mais de 2 horas de projeção. Não dá para ficar parado na poltrona tamanha a energia das músicas e da edição acelerada das imagens, cheia de efeitos e filtros em cortes rápidos, com cores fortes que transbordam na tela, não te deixando piscar. Um ser andrógino, vindo de outro planeta , ator, escultor, pintor, escritor e principalmente músico que, tanto na vida como nas letras, foge do lugar-comum.
Queria mais, queria ver tudo de novo. Saí quase ao final da segunda sessão com o coração acelerado , só lastimando o fato de não terem incluído o dueto de Bowie com Freddie Mercury ( Under Pressure) no filme., porque de resto som e imagens estavam perfeitos. Sem falar que o filme mostra também todas as fontes na literatura, na poesia, na religião, nas artes plásticas, na moda de onde o grande Bowie bebia.
Um filme lindo, uma perfeita homenagem a esse gênio da música já falecido, que rejeitava rótulos e estilos. Sua musicalidade ia do experimentalismo de Brian Eno ao swing hipnótico do Le Chic, sempre buscando o novo.
Da próxima vez, compro 2 ingressos, um para cada sessão. E faço como fazia nos meus tempos de cursinho para Medicina: engato uma sessão na outra e ninguém me enche o saco. Só de pipoca.