Uma ponta, uma costela no mar a flutuar sobre o azul. Tento desligar, apenas no infinito mirar. O som das gaivotas no ar, o barulho das ondas a quebrar. Cenário perfeito para relaxar. Procuro controlar a respiração, soltar o ar bem devagar. Aspirar, prender o ar, soltar. Ao longe, um veleiro a cruzar, imagino o ar do meu peito que expilo a impulsionar o barco, fazendo-o navegar mais rápido. Imagino as grandes embarcações se jogando mar adentro, tendo apenas a energia eólica e a sede de conquistas a impulsionar os mais loucos sonhos. Tento limpar a mente, olhando fixamente para os dois azuis do horizonte a se encontrar. Mas existem as lembranças.As lembranças são as maiores inimigas do meu repouso. Um monstro marinho se ergue e, em fração de segundos, toda a calma se vai. O mar se agita e o tsunami começa a se formar, trazendo à mente todos aqueles que você queria afogar.