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Sons noturnos

Durante o dia você não percebe, mas quando a noite cai o som das sirenes das ambulâncias tem se multiplicado. Não é camburão, não é carro de bombeiro, não é comitiva oficial com batedores à frente. São pessoas sendo levadas às pressas para algum hospital em busca de oxigênio e de uma boa dose de sorte , pois não é todo o mundo que está conseguindo encontrar leitos disponíveis.  

E no meio disso tudo, o  mais assustador foi ouvir num sábado à noite, momento  em que o país ultrapassava a marca de mais de 1.500 mortes diárias por Covid , o som de um pancadão, uma festa rave , entremeado ao burburinho de vozes, risadas e gritos. Das 11 da noite até as 5 da manhã, sem interrupção. Sirenes e techno-funk, tudo misturado.Nenhum sinal do pessoal de patrulhamento do bairro para acabar com a festa. Gente bonita e bem-nascida se divertindo a valer, longe daquela chatice de distanciamento social. No país da impunidade, tem que quebrar tudo: regras, normas, preceitos. E curtir a vida adoidado, enquanto é tempo. Daqui ninguém sai vivo. E a ignorância fala mais alto. Som na caixa, DJ.

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