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Fenda

Lentamente, uma fenda se abre jogando para um buraco negro tudo aquilo que a vida te deu, dia após dia. Uma rachadura profunda, lenta, cruel, que parece não ter fim, tragando tudo à sua volta, escorrendo pelas mãos, gelatinosamente. Nada parece deter o corte, silencioso, profundo, constante. Uma nova ramificação que se estende a cada dia, a cada segundo. No alto, os urubus volteiam, só esperando a hora, o momento em que a fenda irá lhe tragar, te jogar para o fundo também. Acordo, durmo sonhando com a fenda, que não para de se abrir, escorregando como uma cobra pelo solo. Tento tirar o pé do chão, sonhar, mas não consigo. Estou grudado, sentindo lá ao longe, mas não muito distante, essa fenda se aproximar, rasgando tudo, criando margens, abrindo um buraco na minha mente.Silenciosamente, a fenda vem. Para  pegar a tudo e a todos.

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