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Malandragem

Se houvesse uma versão tupiniquim da estupenda Janis Joplin –  em atitude, postura e principalmente na voz dilacerada –  essa pessoa seria Cássia Eller. Roqueira, doida, pungente, ela sabia garimpar músicos e compositores novos na hora de compor o seu brilhante repertório. Cássia Eller , assim como Janis Joplin, passou como um meteoro, imprimindo seu estilo e seu carisma inconfundíveis na música, com sua voz rouca, rasgada e sua interpretação descabelada. 

Dentro desse enxuto repertório, uma das músicas mais emblemáticas que ela imortalizou foi a intitulada Malandragem, composta por Cazuza e Frejat, que Cássia interpretava como ninguém, pedindo a Deus um pouco de malandragem para seguir na vida.

Para desespero e desapontamento de muitos, a nossa ex-deputada Cristiane Brasil , vestindo a carapuça, resolveu adotar Malandragem como o seu hino, o seu hit particular. Pela segunda vez, em festas brasilienses bancadas pelo  Centrão, ela sobe ao palco para tentar incorporar Cássia Eller . Com a letra na ponta da língua e algumas derrapadas melódicas, Cristiane Brasil fez de Malandragem o hino do político brasileiro, que dança conforme a música, que pula de um lado para outro, que só nada a favor da maré, que anda para onde sopra o vento e que está pouco se lixando para os problemas do país, pois o que ele quer mesmo é se arrumar.

No mesmo repertório de Cazuza, existe uma segunda música excelente, de nome Ideologia, cujo refrão é “ideologia, eu quero uma pra viver…” . Cristiane Brasil deveria  ampliar seu repertório e tentar disfarçar um pouco.Pois a sensação que  temos é que , cada vez mais, político brasileiro é sinônimo de malandro, sem a menor ideologia,  com  apetite enorme somente para  falcatruas.

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